No dia 21 de Janeiro realizou-se, no Palácio Magalhães, a Assembleia Geral para aprovação da Conta de Gerência de 2025 e do Plano de Actividades e Orçamento para o ano de 2026. Após a aprovação seguiu-se um almoço de confraternização.
No dia 28, o Clube realizou uma interessante visita guiada à exposição “Complexo Brasil” na Fundação Calouste Gulbenkian. Uma magnífica e surpreendente exposição que revela a diversidade cultural do Brasil. Entre escultura, arquitectura, pintura, fotografia, peças musicais e vídeo, da literatura à poesia, um olhar sobre as suas singularidades, onde obviamente cabem as relações históricas e culturais entre Brasil e Portugal.
Na foto de rosto, instaladas no jardim da Gulbenkian, as esculturas gigantes de serpentes “As Entidades” de Jaider Esbell, que representam a fertilidade e a protecção para os povos indígenas da Amazónia.








A imagem acima representa a tese do embranquecimento gradual das gerações por meio da miscigenação no Brasil. À esquerda, uma senhora negra, a avó, possivelmente escrava, descalça sobre um chão de terra, com as mãos em agradecimento.
Depois a filha, num tom de pele mais claro, segurando um bebé branco no colo e com vestes diferentes. Ao lado, um homem branco, o pai, com os pés assentes em chão de pedra – o elo que permitiu o branqueamento completo dos descendentes da senhora, representando as 3 gerações necessárias para que o Brasil se tornasse um país de brancos.



Estas máscaras da etnia Jurupixuna, do século XVIII, de entrecasca de árvore, cerol e pigmento, encontram-se no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.

A obra representa o genocídio dos indígenas Ianomâmis quando, em 1993, os mineradores invadiram a terra Yanomami e mataram toda a aldeia, salvando-se apenas duas crianças que fugiram para uma tribo vizinha.

Obra inspirada no quotidiano da Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro, onde nasceu, trabalha e reside Alexandre, é uma construção de narrativas, explorando temas como o racismo, violência policial, comunidade e espiritualidade.

“O barco de açúcar”, de Tiago Santa’Ana (2021), explora três símbolos: a embarcação, o corpo e o açúcar – material recorrente na obra do artista e um dos principais produtos explorados no Brasil. A vista de quem olha para o mar que se afasta da costa africana, em contraste com a ponta do barco que indica a direcção para o Brasil, a sensação angustiante e o sentimento de incerteza de uma travessia atlântica forçada e violenta.

O manto, bordado ao longo de décadas, foi concebido como vestimenta sagrada com o qual se deveria apresentar a Deus no Dia do Juízo Final. Criado por volta de 1989, é uma das obras mais icónicas e complexas do artista. Bispo do Rosário passou mais de 50 anos numa instituição psiquiátrica, onde criou milhares de obras de arte a partir de objetos encontrados.

O Manto Tupinambá de Glicéria Tupinambá é a retoma de uma tradição com quatro séculos. A capa Tupinambá é uma peça de vestuário emplumada do século XVII. Confeccionada pelos Tupinambás, uma tribo indígena do povo Tupi, é feita de penas de aves e fibras vegetais. Para os Tupinambá, estes eram objetos sagrados usados por xamãs em cerimónias e rituais, pois os pássaros eram considerados criaturas divinas.
Nas mãos dos europeus, os belíssimos mantos transformaram-se em exóticos objectos de colecção, cobiçados no mercado transatlântico da época. Isso explica o facto de, 500 anos depois do primeiro contato dos europeus com os Tupinambás, os remanescentes originais do manto (11 no total) estivessem espalhados em museus da Bélgica, Dinamarca, França, Itália e Suíça, mas nenhum no Brasil.

