Exposição “Graça Morais – Uma Antologia” no Palácio Anjos

A exposição “Graça Morais – Uma Antologia” no Palácio Anjos, que o Clube visitou no início de Maio, apresenta temas centrais da criação de Graça Morais desde a década de 1970 até ao presente, reunindo mais de 170 obras de desenho, pintura e fotografia.

As  pinturas seguintes referem-se às gentes e memórias de Vieiro, onde viveu, que são evocadas em tons negros, castanhos e ocres, e pela integração de folhas de oliveira. É o seu universo mais familiar, com pinturas de empregadas da casa, sempre perscrutando os rostos e a sua linguagem silenciosa.

Jorge III, 1996 – Acrílico, carvão e pastel sobre lona utilizada na apanha da azeitona
1995, Sem título
“As Marias”, 1996. A artista desenha as mulheres do Vieiro (sua terra natal), a partir de retratos fotográficos, agora mapeados com pincel (acrílico, sépia, tinta-da-china e pastel sobre papel)
“O Caçador”, 1982 –  A relação entre o homem, a natureza e a morte de elementos da fauna, como lebres e perdizes.
“20 de Janeiro de 2017”, pintura que representa vários acontecimentos trágicos ocorridos nesse ano, como os incêndios florestais de Pedrógão Grande. A figura do rapaz, em baixo, é uma referência ao espancamento a Rúben Cavaco que dois jovens, filhos do embaixador do Iraque, praticaram em Ponte de Sor.  No centro, uma Pietà.
“Guerra,  Verão de 2008”. Obra que reflete uma atmosfera sombria, uma mão tapa a boca reprimindo um grito.

Abaixo, 3 quadros da série A Caminhada do Medo, produzida em 2011 e caracterizada pelo uso de carvão e pastel. Foi sob o efeito das fotografias publicadas em jornais e em revistas que os desenhos foram realizados. Criada num contexto de reflexão sobre a violência e a instabilidade, a série aborda temas como o sofrimento, o caos, o medo e a fuga de seres humanos, nómadas famintos, perante guerras e terrorismo.

A Caminhada do Medo XI

Acima, Pietá, de 1986. O elemento masculino agarra a figura feminina desfalecida num enlevo. Um terceiro corpo, feminino, nu, a figura da serpente, com a maçã ao lado, sobre uma das personagens femininas. Eva e o pecado original, os corpos erotizados, as paixões do corpo e do espírito, os mistérios da vida e da morte, do sagrado e do profano, tudo conflui nesta obra.

Painel da autoria da artista Graça Morais que evoca a resistência e a luta pela liberdade durante o Estado Novo

A reprodução do painel encontra-se em execução na fábrica Viúva Lamego, de azulejo português, e terá 6 por 20 metros, tendo já sido assinado pela artista.