Viagem a Vila Viçosa e Estremoz

A 26 e 27 de Março, o Clube realizou uma viagem a Vila Viçosa e Estremoz, com o objectivo de visitar o Museu do Mármore Raquel de Castro, o Palácio Ducal e o Museu Berardo do Azulejo em Estremoz. No tempo livre deu-se um pequeno passeio até às principais praças.

Museu do Mármore

No Museu do Mármore, situado na pedreira da Gradinha, actualmente desactivada, ficámos a conhecer todo o processo de transformação do mármore, uma actividade que na região remonta à época romana, desde a extracção aos objectos, instrumentos de trabalho e maquinaria utilizada.

Quando sai da rocha em grandes blocos irregulares, é chamado de mármore bruto. Abaixo, drusas de cristais de carboneto.

Bloco de calcite
Bloco  de mármore polido, ónix

Na prospecção utiliza-se uma máquina perfuradora que faz uma sondagem no solo para confirmar a existência de mármore, e quais as suas caracteristicas e qualidade.

Tarolos de sondagem
Utensílios utilizados na extracção, como a picareta, martelo pneumático, brocas e cinzel, numa altura em que ainda não havia máquinas.

Abaixo, maquinaria mais pesada no exterior do Museu.

Pedreira
Maquete do trabalho nas zonas de extracção numa pedreira

A arte também está presente nas esculturas em mármore.

“Samurai” de César Valério
“Samurai” de César Valério
“Corpo de Mulher” de Jorge Silva
Correntes e fogão de Diogo Germano
Gravura em Ruivina (mármore negro) com técnica de picotado de Luís Silva
Avenida de Vila Viçosa, de Alexandra Ferreira

Esculturas no exterior do Museu.

Terminada a visita, seguiu-se um animado almoço, após o qual visitámos o Palácio Ducal.

Palácio Ducal

Iniciámos a visita ao Palácio Ducal pela Sala do Tesouro, onde estão expostas peças de ourivesaria, pintura, cerâmica, escultura, vidros e  uma colecção de marfins indo-portugueses.

Abaixo, cruz processional de D. Catarina de Bragança, em ouro e pedras preciosas (diamantes, rubis, esmeraldas, pérolas e esmaltes polícromos), encomendada pelo seu pai D. João IV ao ourives Filipe Vallejo.

Cofre relicário do século XIV, com esmalte de Limoges sobre uma base de ferro, e esmaltes polícromos representando Cristo, santos e anjos.

Seguiu-se a visita guiada às diversas salas do Palácio. A escadaria em mármore é decorada com uma pintura mural que representa a tomada da praça africana de Azamor em 1513 – Desembarque das tropas, Preparação do Cerco e Cerco da Praça.

Tecto da escadaria

Sala das Tapeçarias – com tapeçarias dos séculos XVII e XVIII, busto da Rainha D. Amélia do escultor Teixeira Lopes e, nas paredes, azulejos seiscentistas polícromos em azul e amarelo.

Sala Medusa – com retratos ducais, encomendados por D. Carlos a pintores como José Malhoa, Columbano, Carlos Reis, de D. Maria I, D. João VI, D. Pedro IV, D. Maria II, D. Pedro V, D. Luís Filipe e D. Carlos. Nas paredes, azulejos polícromos de Talavera de la Reina.

Os frescos no tecto, por Tomás Luís, contam a história mitológica de Medusa e Perseu.

Sala dos Duques ou dos Tudescos é o salão nobre e a maior sala do palácio.

O tecto é decorado com caixotões representando os 16 duques até D. José, a primeira duquesa e o Condestável D. Nuno Álvares Pereira.

Sala de jantar do final do século XVIII, criada por D. Maria I.

Centro de mesa em bronze dourado

Abaixo, tapeçarias de Aubusson narrando episódios da vida de Alexandre.

Tecto com motivos mitológicos, com destaque para Neptuno

Sala Dourada ou da Duquesa – eram os aposentos de D. Catarina, sendo o espólio proveniente do Palácio das Necessidades.

Sala Hércules – armários holandeses dos séculos XVII e XVIII e a pintura de Domingos Sequeira “Pregação de S. João Baptista”.

Pintura do tecto com Hércules a lutar contra o leão de Nemeia

Sala das Virtudes – com tapeçarias Gobelins do século XVII, que narram dois episódios da vida de Moisés. O busto é de D. Fernando II.

Tecto em caixotões com pinturas das 7 virtudes – Fé, Esperança, Caridade, Prudência, Justiça, Fortaleza, Temperança e a Sapiência.

Sala de David ou do Gigante – com pinturas do Rei D. Carlos como o “O Sobreiro” e o “Marroquino”. Nas paredes, raros azulejos seiscentistas de Talavera de la Reina.

No tecto, frescos com episódios bíblicos de David a derrotar Golias, enquadrando no centro as armas dos Duques de Bragança.

Sala D. Duarte – Tapeçaria do século XVII sobre cartão, realizada em Bruxelas, de Paul Rubens.

Sala Indo-Portuguesa

Pequena Galeria

Quarto do Rei – quarto onde o Rei D. Carlos passou a última noite antes de ser assassinado e onde se encontram alguns dos seus uniformes.

Gabinete do Rei, com algumas peças de cerâmica pintadas pelo próprio

Quarto da Rainha D. Amélia

Quarto da Rainha – mobiliário fabricado em França em madeira de ácer
Berço
Cama de criança
Gabinete da Rainha e sala de visitas

Cozinha – construída na 2ª metade do século XVIII, durante o reinado de D. João V, apresenta mais de 600 utensílios em cobre distribuídos por 3 espaços distintos: área de preparação dos alimentos, forno e churrasqueira.

Forno
Churrasqueira

Salas das porcelanas – exposição de mais de uma centena de peças da China dos séculos XII a XIX, principalmente dos séculos XVI- XVII, da colecção de Amaral Cabral.

Saída do Paço Ducal pela Porta dos Nós

Estremoz

Em Estremoz, realizámos uma visita guiada ao Museu Berardo, situado no Palácio Tocha, com uma notável colecção de azulejaria, onde nos apercebemos da técnica, design e modos de produção dos azulejos desde a antiga Pérsia, aos holandeses, italianos, japoneses e principalmente ao Al-Andaluz e o período português dos séculos XVI e XVI, até à actualidade, ou seja, a história dos últimos oito séculos de azulejaria.

Iniciámos a visita no piso térreo com a arte Islâmica.

Azulejo persa do século XII
Azulejo da dinastia Kajar, 2ª metade do século XIX, Teerão
Cavaleiro
Jogador de polo
Azulejo da dinastia Salavida, século XVII

A que se seguiu o legado Al- Andaluz.

Painel dos séculos XV- XVI
Lambril do século XVI, construído à maneira sevilhana
Lambril do século XVI, construído à maneira portuguesa
Painel de finais do século XVI
Painel do início do século XVII, por Hernando Valladares
Painel com azulejos de padrão, que revela a influência da azulejaria de Talavera de la Reina, na transição para o século XVII
Painel da 1ª metade do século XVII, com S. Francisco de Paula

Azulejaria Seiscentista

Frontal de altar com brasão da família Carneiro, meados do século XVII
Painel ornamental heráldico, com brasão de Diogo Botelho Chacão, meados do século XVII

Abaixo, conjunto de painéis do século XVII, conhecidos como Macacaria – cenas satíricas com símios, destinadas a decorar uma sala com mais de 25 painéis da família Henriques de Miranda. Ao centro, “Assalto a uma fortaleza”.  À direita, “Tristão e Sereias” a tocarem instrumentos musicais, com um “Par de Felinos” a tentar alcançar as marmitas penduradas na árvore, à esquerda.

Passeio no rio e passeio numa carruagem, 3º quartel do século XVII
Painel com padrão Brocado, influencido pelos têxteis, meados do século XVII (a azulejaria seriada desta altura tem nomes conforme os diversos padrões)

Azulejaria Holandesa

Alguns exemplos da arte holandesa em azulejo, da esquerda para a direita: “O Velho”, painel de azulejos de Delft representando cenas do quotidiano de várias classes (tema recorrente na azulejaria produzida nesta cidade) e “Os Guerreiros” (1º quartel do século XVII).

Azulejaria Barroca

Painel de azulejos “Paladar e Audição”, por Teotónio dos santos, século XVIII
Painéis no hall de entrada do Museu: “Alabardeiro” de Nicolau de Freitas, 1730- 1740 (à direita) e “Escudeiro” de Domingos de Almeida, 1740 (à esquerda)

Abaixo, conjunto de 5 painéis de Domingos de Almeida com sentido eucarístico, século XVIII.

“As Bodas de Canaã”, à esquerda, e “A última Ceia” à direita. No centro, o painel “Confessionário” com Cristo crucificado com Madalena aos pés da Cruz, e em baixo um eremita em oração.
Painéis barroco seriado

Azulejaria da Regência e Rococó

Painel de Nicolau de Freitas, século XVIII
Mulher com crianças e um casal chinês a ler um livro, à esquerda, e dois chineses a tomarem chá (à direita), século XVIII
Mulher e criança na pesca com um corvo marinho no barco, século XVIII
Painéis com figuras galantes, de Nicolau de Freitas (na cozinha do palácio)

Azulejaria Neoclássica

Banco com silhar de composição ornamental de Francisco de Paula e Oliveira, 1º quartel do século XIX
Mulher a alimentar perus, 2ª metade do século XIX 
Painel da Fábrica de Cerâmica das Devesas, no Porto
Silhares de composição ornamental de Francisco Jorge da Costa, início do século XIX

Azulejaria das Caldas da Rainha

Acima, ao centro, painel de Rafael Bordalo Pinheiro intitulado “Rãs e Nenúfares” em azulejo relevado e vidrado, 1904. Nos lados, painéis “Gafanhotos” e “Borboletas e Espigas” do início do século XX.

Azulejaria Arte Nova

Painel de José António Jorge Pinto – Fábrica de Cerâmica de Constância, 1903-1905
Barra Ornamental da Fábrica da Loiça de Sacavém

Azulejaria Historicista e Revivalista

Painel de D. Isabel de Aragão, por Leopoldo Battistini e Viriato Silva, 1924 – Fábrica de Cerâmica de Constância

Azulejaria Moderna e de Autor

Painel de azulejos de Frederico George para a antiga loja da TAP com um cavaleiro sobre um fundo de mapa astrológico e uma esfera armilar
4 painéis de Jorge Barradas, 1970, Fábrica de Cerâmica Viúva de Lamego
“Menino a tocar flauta” e “Menina a brincar com um arco de flores”
“Menino a tocar tambor” e “Menina a segurar a saia”

De Querubim Lapa, 5 painéis realizados em 1968 para a cozinha de uma quinta, inspirados na decoração das cozinhas do século XVIII. Estão expostos na antiga cozinha do Palácio Tocha. A mensagem “Quinta do Sol” está camuflada e só é possível ler reflectida num espelho.

Num dos potes a data da realização em romano
Prato com cabeça de porco, frutos e flores
Vaso de flores e frutos sugerindo um ser humano
Figura feminina com o tronco formado por um cesto florido
Composição do género “O mundo às avessas”. Na jarra está a assinatura de Querubim, pintada muito discretamente.
Frisos de Manuela Madureira, de 1963, para o restaurante do antigo Hotel Estoril Sol

Palácio Tocha ou dos Henriques

O  palácio possui um notável conjunto de painéis de azulejos na escadaria e em diversas salas. Na escadaria que dá acesso à sala nobre designada por “Sala das Batalhas”, estão colocados painéis com cenas de caça, dos finais da 1ª metade do século XVIII.

Sala das Batalhas – decorada com oito painéis em azul cobalto, representando eventos militares históricos ocorridos na zona de Estremoz.

Outros detalhes

Sala Apolo – tecto com medalhão “Apolo a perseguir Dafne”
Sala Hércules – tecto com medalhão “Hércules a matar a Hidra de Lerna”

A visita terminou com uma prova de vinhos, de onde seguimos para o almoço no Pateo dos Solares.

Após o almoço, visitámos o atelier das Irmãs Flores, onde observámos o minucioso processo de fabrico manual dos característicos Bonecos de Estremoz.

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